PF identifica saques fracionados em R$ 49.999,99 para burlar Coaf no caso Júnior Mano e Bebeto do Choró


O relatório final da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o deputado federal Júnior Mano (PSB) e o ex-prefeito foragido de Choró, Bebeto Queiroz (PSB). Os investigadores identificaram um padrão deliberado de saques e depósitos fracionados, realizados em valores ligeiramente inferiores a R$ 50 mil, com o objetivo específico de evitar os alertas automáticos de monitoramento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Essa estratégia visava dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos, dispersando-os rapidamente através de transferências e pagamentos sem vínculos comerciais aparentes.


Diversas empresas ligadas ao grupo foram apontadas como instrumentos para essa operação. A MK Empreendimentos, de Maurício Gomes Coelho, movimentou mais de R$ 116 milhões em um ano, valor incompatível com seu faturamento declarado de R$ 2 milhões, realizando dezenas de saques de R$ 49,9 mil. Da mesma forma, a AM Transportes, associada a Maria Aurilene Pinheiro, executou 156 saques entre novembro de 2023 e maio de 2024, totalizando quase R$ 2,5 milhões em espécie, sempre mantendo os valores abaixo do limite de notificação automática.


O modus operandi se repetiu em outras organizações, como a Cariri Edificações, vinculada ao servidor público Carlos Douglas Almeida Leandro, que movimentou mais de R$ 50 milhões em menos de quatro anos, e a Colinas Construções (atual SFC Serviços), de Iago Viana Nascimento, que registrou um fluxo de R$ 41,2 milhões em sete meses. A Kronus Serviços utilizava cheques padronizados de R$ 49,9 mil para beneficiários sem relação comercial, enquanto empresas como Millenium Construções e Rapi Transportes também apresentavam volumes financeiros muito superiores ao seu porte declarado, caracterizando uma estrutura dependente de recursos públicos e ausência de justificativa econômica para as transações.

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A Polícia Federal concluiu que essas movimentações atípicas serviam para alimentar um caixa paralelo destinado ao financiamento ilegal de campanhas eleitorais, compra de votos e pagamento de propina a agentes políticos. O esquema, coordenado por Júnior Mano e Bebeto Queiroz, capturava recursos através da negociação de emendas parlamentares, com retorno de propina entre 12% e 15%, e fraudes em licitações. Os valores sacados fracionadamente eram utilizados, entre outros fins, para a compra direta de votos, com negociações variando entre R$ 200 e R$ 500, consolidando uma rede criminosa voltada ao controle de gestões municipais e enriquecimento ilícito.

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🔗 Fonte: DN

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