Relatório da PF vincula Júnior Mano a Safadão em esquema de propina, mas cantor não é alvo de investigação


O relatório da Polícia Federal (PF) detalha um suposto esquema criminoso liderado pelo deputado federal Júnior Mano (PSB) e pelo ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz, que envolvia a negociação fraudulenta de emendas parlamentares, desvios em licitações municipais e financiamento ilegal de campanhas no Ceará. O documento aponta que o grupo, composto por 13 investigados por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, cobrava uma "taxa" de 12% a 15% sobre os recursos das emendas destinadas a prefeituras aliadas. Esse dinheiro era utilizado para enriquecimento ilícito e para a compra de votos, criando um ciclo vicioso onde empresas do esquema, após financiarem candidatos eleitos, recebiam contratos milionários das novas gestões; a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que nove dessas empresas receberam cerca de R$ 455,5 milhões de municípios cearenses entre 2023 e 2025.


As investigações revelaram uma estreita relação operacional entre o parlamentar e a família do cantor Wesley Safadão, embora o artista e seus parentes não sejam alvo formal da investigação nem acusados dos crimes listados. Em conversas interceptadas, Júnior Mano solicitou um patrocínio de R$ 200 mil à empresa de apostas BetVip, de propriedade de Safadão, pouco depois de a Prefeitura de Nova Russas — gerida por sua esposa, Giordanna Mano (PRD) — contratar o cantor para shows com cachês de R$ 900 mil e R$ 1,2 milhão. A PF interpreta esse pedido de patrocínio como uma solicitação camuflada de propina, configurando uma devolução parcial dos valores pagos pela administração municipal. Além disso, o deputado foi registrado conversando com o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, para agilizar a liberação de aeronaves de Safadão na Anac, visando utilizá-las em sua campanha eleitoral, e articulava apoios políticos e movimentações financeiras com Yvens Watilla, irmão e empresário do cantor.


Diante das acusações, Wesley Safadão emitiu nota afirmando não ter qualquer envolvimento político com as pessoas mencionadas e classificou o pedido de patrocínio como uma prática comum no setor de entretenimento, reiterando seu foco exclusivo na carreira musical. A defesa de Júnior Mano contestou veementemente o relatório, alegando que a investigação não encontrou nada de relevante contra o deputado e criticou o vazamento seletivo de informações sigilosas em período eleitoral. Apesar da ausência de indiciamento da família do artista, a PF concluiu que o relacionamento ia além da cordialidade, transbordando para a gestão concreta de interesses, o que foi reforçado pela descoberta de um veículo pertencente à empresa de Yvens Watilla estacionado na residência do deputado em Fortaleza durante buscas apreensões. O contexto político da família Safadão inclui forte atuação em Aracoiaba, onde outro irmão, Edim (PP), teve o mandato de prefeito cassado recentemente, enquanto pais e irmãos ocuparam cargos legislativos na cidade.

➡️ Leia mais no mtnews2026.blogspot.com

🔗 Fonte: G1 Ceará

📱  Siga o @mtnews2026_  

Postagem Anterior Próxima Postagem