PM Gisele relatou estar 'praticamente solteira' dias antes da morte, mas tenente-coronel respondeu com ameaça: 'Jamais! Nunca será!'


Cinco dias antes de ser assassinada em 18 de fevereiro, a soldado Gisele Alves informou ao marido, tenente-coronel Geraldo Neto, que se considerava "praticamente solteira" e solicitou o divórcio, recebendo como resposta uma ameaça direta dele: "Jamais! Nunca será!". Mensagens de WhatsApp extraídas dos aparelhos de ambos comprovam que o oficial não aceitava o fim do relacionamento e estava determinado a impedir a separação. Geraldo foi preso preventivamente e está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, após ser tornado réu por feminicídio e fraude processual, acusado de executar a esposa com um tiro na cabeça e depois manipular a cena do crime para simular um suicídio.


O Ministério Público descreve o contexto do crime como fruto de uma relação marcada por abuso psicológico, machismo, controle financeiro e ciúme patológico, agravados pela decisão de Gisele de romper o vínculo matrimonial. Nas conversas, Geraldo autodenominava-se um "macho alfa provedor" e exigia que a esposa assumisse o papel de "fêmea beta obediente e submissa", impondo regras restritivas sobre suas vestimentas e interações sociais, como a proibição de cumprimentar homens. O oficial condicionava o sustento da casa à contrapartida de "carinho, atenção, amor e sexo", rejeitando as críticas de Gisele sobre a falta de romantismo e afirmando ser um "Rei Soberano" em todos os aspectos.


A investigação aponta que Geraldo segurou a cabeça da vítima e atirou contra ela com sua arma de fogo, descartando a tese de suicídio defendida inicialmente pela defesa. Após o disparo, o acusado teria alterado a cena do crime, colocando a arma na mão de Gisele, escondendo o estojo deflagrado e tomando banho para eliminar vestígios biológicos, conduta que fundamenta a acusação de fraude processual. A Promotoria solicitou uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares e destaca que o caso se enquadra nas novas disposições da Lei 14.994, que tornou o feminicídio um tipo penal autônomo com penas mais severas.


Embora a defesa questione a competência da Justiça Militar e negue a autoria do crime, o Tribunal de Justiça Militar decretou a prisão para garantir a ordem pública e a disciplina hierárquica, dado que a vítima era subordinada ao acusado. Existe uma tendência de que o processo seja julgado pela Justiça Comum, especificamente pelo Tribunal do Júri, por se tratar de crime doloso contra a vida. Este episódio marca um precedente importante, sendo o primeiro caso desde 2015 em que um oficial da Polícia Militar de São Paulo é preso sob a acusação de feminicídio, refletindo a aplicação rigorosa da legislação recente sobre violência de gênero.

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🔗 Fonte: G1

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