Em entrevista à Rádio Asa Branca FM, filha de Aldecina Albuquerque relata detalhes do crime em Boa Viagem e cobra justiça


Bia, filha de Aldecina Albuquerque, falou com exclusividade com o repórter e locutor Luis de Sá da Rádio Asa Branca FM do municipio de Boa Viagem. 


Na manhã de domingo, a jovem Beatriz recebeu a notícia da morte da mãe, Aldecina Albuquerque, assassinada na comunidade de Lázaro, zona rural de Boa Viagem. A entrevista foi concedida na casa da família, onde os filhos relataram detalhes do ocorrido e as consequências da perda.

Beatriz contou que havia acabado de acordar quando recebeu uma ligação perguntando se a mãe estava na Guia. “Eu disse que não, que minha mãe estava em Boa Viagem. A pessoa insistiu, perguntou se eu tinha certeza que ela não tinha ido para Guia. Eu respondi que não”, relatou. Pouco tempo depois, a mesma pessoa voltou a ligar e informou que havia uma motocicleta pop branca caída na comunidade Lázaro e que uma mulher estava morta no local. “Eu ainda disse: deixa de brincadeira numa hora dessas. Ela respondeu que estava falando sério”, afirmou.

Diante da informação, Beatriz tentou contato com a mãe, mas as mensagens não chegaram. Em seguida, ligou para o irmão, Otávio, e perguntou onde Aldecina estava. “Ele disse que ela tinha saído para a Guia. Quando ele confirmou isso, eu já me desesperei”, contou. Nesse momento, Beatriz decidiu enviar mensagem ao suspeito, identificado como Francisco de Assis Pereira Cruz. “Eu mandei ‘oi’. Ele respondeu: ‘Bia, matei tua mãe’. Depois disso eu não respondi mais nada”, declarou.

Aldecina Albuquerque, era viúva e mãe de cinco filhos: Beatriz, Maria Eduarda, Otávio, Jonas e Junior. Durante a entrevista, os irmãos estavam reunidos na residência da família, acompanhados de uma tia. Segundo Beatriz, ela é a filha mais nova. A família já havia enfrentado outra perda no mesmo local. “A gente já tinha perdido nosso pai no Lázaro, em 2017”, afirmou.

Beatriz e Maria Eduarda trabalham e ambas têm filhos. A rotina da família foi completamente alterada. “Durante o dia a gente tenta fazer nossas tarefas, mas quando chega a noite é só choro. Minha mãe dormia comigo e com meu filho toda noite”, relatou Beatriz. Aldecina morava na própria casa, mas passava as noites na residência da filha, que mora em Tibiquari, pois trabalhava cedo na casa de uma tia de Beatriz, o que facilitava o deslocamento.

Sobre o relacionamento entre AldecinaAssis, Beatriz afirmou que ele demonstrava comportamento controlador. “Ele se infiltrava nas amizades da minha mãe e seguia todos os passos dela. Quando sabia que ela estava em algum lugar, tinha amiga que mantinha ele informado”, disse.

Na noite anterior ao crime, segundo Beatriz, Aldecina saiu para beber com amigas. “Tudo que acontecia, uma amiga comunicava a ele. Minha mãe chegou a dizer que estava se sentindo perseguida, que ele estava ‘pastorando’ ela. A amiga respondeu que ele já tinha visto o áudio chamando para beber, ou seja, ele estava na casa dessa amiga”, relatou.

Beatriz negou a versão de que a mãe estaria com outro homem para provocar ciúmes. “Isso é mentira. Ele disse em depoimento que minha mãe falou que ia ficar com outro, mas antes de matar ele fez ela desbloquear o telefone. Ela desbloqueou, entregou o celular e ele não achou nada”, afirmou.

De acordo com o que foi repassado à família, o suspeito soube que Aldecina iria para a Guia e decidiu interceptá-la. Ele teria seguido pela chamada estrada do Sabonete, enquanto ela foi pela estrada do Lázaro, possivelmente para evitar encontrá-lo. Ainda assim, os dois se encontraram no trajeto. “Eles começaram a discutir. Ele fez ela desbloquear o celular. Depois, no momento da discussão, ela saiu correndo e ele deu duas facadas nas costas”, relatou Beatriz.

Segundo o relato, quando Aldecina se virou de frente, teria dito: “Você vai fazer isso comigo?”. Ao todo, foram sete perfurações, sendo duas nas costas, quatro no abdômen e uma abaixo da clavícula. A família acredita que o crime foi premeditado. Beatriz lembrou que, em outra ocasião, a mãe já havia sido lesionada no braço com uma faca pelo mesmo homem. “Ele já perseguia ela antes”, afirmou.

Os filhos informaram que acionaram a polícia e aguardam o andamento das investigações. Além da responsabilização de Assis, a família cobra esclarecimentos sobre a conduta de uma amiga de Aldecina, identificada como Samia. Segundo Beatriz, essa amiga mantinha contato com o suspeito e teria informado o destino da vítima na noite do crime. “Eu liguei para ela na hora que soube e ela sumiu, não falou nada”, declarou.

A família informou que pretende realizar uma caminhada no próximo sábado, reunindo mulheres da comunidade, como forma de protesto e pedido de justiça. “É muito revoltante ver mulher defendendo homem que faz isso. Ele não destruiu só a vida dela, destruiu a nossa também. Somos cinco filhos sem pai e sem mãe, e ainda temos nossos filhos para criar”, disse Beatriz.

Os irmãos afirmaram que agora tentam se apoiar mutuamente para seguir com a rotina e cuidar dos filhos, enquanto aguardam providências da Justiça sobre o caso.

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🔗 Fonte: ASA BRANCA FM

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