Liderança da Aldeia Jucás se pronuncia na Câmara de Monsenhor Tabosa e cobra respeito aos povos indígenas


A liderança indígena Rosinha Potiguara utilizou a tribuna da Câmara Municipal do municipio de Monsenhor Tabosa, nesta quinta-feira, 18/12, para se apresentar oficialmente como representante da Aldeia Jucás e afirmou possuir reconhecimento estadual e nacional por sua atuação no movimento indígena. Em sua fala, destacou que não compareceu à Casa para pedir favores, mas para exigir respeito à sua pessoa e ao seu povo, ressaltando que o espaço legislativo é a “casa do povo” e deve garantir o direito de manifestação de todos.


Rosinha Potiguara enfatizou que sua militância é pautada na defesa de direitos e deveres, afirmando que a atuação da Aldeia Jucás contribui diretamente para o desenvolvimento do município. Segundo ela, a comunidade indígena promove dignidade às famílias por meio de ações que garantem alimentação, moradia e condições de vida, negando qualquer prática de vandalismo no espaço atualmente ocupado no campo de aviação. A liderança afirmou que a ocupação ocorre de forma organizada, com regras internas, sem consumo de bebidas alcoólicas ou desordem, mantendo disciplina e respeito.


Durante o pronunciamento, Rosinha declarou que a retomada no campo de aviação não tem causado prejuízo à população de Monsenhor Tabosa e que o local, antes abandonado, passou a ter função social, com a construção de seis casas destinadas a famílias carentes. Ela ressaltou que o terreno é público e que a comunidade indígena está dando utilidade ao espaço, promovendo ordem e progresso, ao mesmo tempo em que luta pelo direito à moradia.

A liderança indígena também reagiu de forma contundente às declarações feitas anteriormente pelo vereador Salu Cavalcante, classificando-as como ofensivas, preconceituosas e racistas. Rosinha Potiguara afirmou que registrou boletim de ocorrência por injúria, difamação e discurso de ódio, reforçando que críticas que associam a comunidade indígena a vandalismo não condizem com a realidade. Segundo ela, o respeito à diversidade é um princípio constitucional que deve ser observado por todos, especialmente por representantes eleitos.

Rosinha destacou ainda que é mãe, esposa, diretora de escola e militante, e que sua trajetória é marcada pelo trabalho em defesa do povo indígena e da população em geral. Afirmou que nunca negociou favores políticos com vereadores ou com o prefeito Salomão, embora tenha participado do processo eleitoral e mantenha diálogo institucional. Segundo ela, a comunidade busca seus direitos dentro da legalidade e está se defendendo juridicamente quanto à posse e ao uso do território.

Ao longo da fala, Rosinha Potiguara reforçou que a Aldeia Jucás possui estudos antropológicos e documentos que integram o Grupo de Trabalho responsável pela delimitação territorial, iniciados ainda em 2007, com acompanhamento de antropólogos. Ela afirmou que há cartas encaminhadas à Câmara Municipal que comprovam a delimitação e o reconhecimento do território indígena, incluindo áreas de uso sagrado, histórico e de moradia.

Por fim, a liderança agradeceu ao presidente da Câmara, Carlinhos do Marcondes, pela concessão do direito de resposta e pelo espaço democrático oferecido, afirmando que a atitude demonstra sensibilidade institucional. Rosinha Potiguara reafirmou que a Aldeia Jucás continuará ocupando os espaços de diálogo sempre que necessário, defendendo o direito à moradia, à saúde, à educação e ao respeito, e desejou aos vereadores e à população um feliz Natal e um ano novo de paz, reiterando que a luta indígena seguirá de forma firme, organizada e pacífica.

Redação

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