💬 Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram uma técnica que utiliza um biomaterial produzido a partir da pele da tilápia para tratar lesões graves na córnea de cães. A inovação tem apresentado resultados positivos, inclusive com recuperação da visão de animais que corriam risco de cegueira.
O trabalho foi desenvolvido pela médica-veterinária Mirza de Souza Melo durante seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Medicina Translacional da UFC, sob orientação do professor Manoel Odorico de Moraes Filho, com participação de outros especialistas da instituição.
Em vez de utilizar a pele do peixe diretamente, a técnica emprega a matriz dérmica acelular da pele da tilápia, um material rico em colágeno, produzido após um processo laboratorial de remoção das células. Esse biomaterial funciona como um enxerto que auxilia na cicatrização e na recuperação da transparência da córnea, fundamental para a visão.
Segundo informações divulgadas pela Agência UFC em 2023, mais de 400 animais já haviam passado pelo procedimento, com resultados considerados positivos. A pesquisa também identificou vantagens como facilidade de armazenamento e manuseio, boa aderência ao tecido lesionado e ausência de contaminação durante a cirurgia.
A técnica pode beneficiar especialmente cães de raças braquicefálicas, como shih-tzus, pugs, lhasas e bulldogs, que apresentam maior predisposição a lesões oculares devido às características anatômicas. Em casos graves, as feridas na córnea podem comprometer a visão e exigir intervenção cirúrgica.
Além de buscar uma alternativa às membranas comerciais importadas, geralmente de custo elevado, a pesquisa transforma um subproduto da indústria pesqueira em material com aplicação veterinária. Os resultados foram comparados aos de técnicas convencionais e apontaram potencial para o reparo corneano.
Os pesquisadores também investigam novas possibilidades de aplicação do biomaterial. A experiência com cães e os resultados obtidos abrem perspectivas para estudos futuros em outras espécies, embora o uso em humanos ainda dependa de pesquisas específicas.
🔗 Fontes: Universidade Federal do Ceará (UFC) / Agência UFC / ObservaUFC / Revista Pesquisa FAPESP / Repositório Institucional da UFC / O Povo
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