💬 Ex-funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Monsenhor Tabosa relataram supostas irregularidades durante o período em que trabalharam no órgão. Entre as denúncias estão a prática de rachadinha salarial, cobranças para repasse de parte dos vencimentos a outra funcionária, possíveis irregularidades em compras públicas e materiais que, segundo os relatos, teriam sido adquiridos para a secretaria, mas não chegaram ao destino previsto.
As acusações foram apresentadas por meio de mensagens de WhatsApp e, conforme os denunciantes, já foram levadas à Promotoria de Justiça do município e a outros órgãos de investigação. Os ex-funcionários afirmam que procuraram os meios legais, entregaram documentos e prestaram depoimentos sobre os acontecimentos.
Uma das ex-funcionárias, identificada como Nayara, afirmou que era obrigada a repassar parte do próprio salário a outra pessoa que, segundo ela, não cumpria regularmente suas atividades na secretaria. De acordo com seu relato, os repasses teriam ocorrido durante nove meses.
Nayara declarou possuir comprovantes de transferências via Pix, além de registros de cobranças que, segundo ela, teriam sido feitas pelo então secretário da pasta e pela pessoa que recebia os valores. A ex-funcionária também afirmou que o prefeito tinha conhecimento da situação, alegando ter presenciado o momento em que a proposta de rachadinha foi apresentada. Ela ressaltou, entretanto, que não possui gravação daquela conversa específica.
Segundo Nayara, a situação teria começado depois da entrada de um novo secretário na pasta. Ela afirmou que, durante a gestão anterior da secretaria, não enfrentava esse tipo de situação.
A ex-funcionária também declarou que sua exoneração já estaria preparada quando recebeu a notícia de que seria retirada do cargo. Segundo ela, mesmo com a portaria de exoneração pronta, continuou trabalhando até as 17h daquele dia, tomando conhecimento formal da exoneração somente na segunda-feira.
Outro ponto levantado envolve as condições de trabalho e a aquisição de materiais para a Secretaria de Meio Ambiente. Nayara afirmou que exercia a função de fiscal de compras e que teria assinado documentos referentes a aquisições de materiais que, segundo ela, não chegaram ao órgão.
Entre os exemplos citados estão materiais de escritório, móveis, cadeiras e computadores. Ela relatou que, apesar de supostas compras destinadas à estruturação da secretaria, os equipamentos não teriam sido entregues ao setor. Segundo sua declaração, uma ocasião em que um caminhão chegou com móveis e equipamentos para a secretaria terminou sem que os materiais permanecessem no local, pois teriam sido encaminhados para outra secretaria municipal.
A ex-funcionária afirmou que três pessoas teriam presenciado esse episódio e que poderiam confirmar o ocorrido.
Também foram questionadas as quantidades previstas em contratações e aquisições. Nayara citou como exemplo a previsão de 200 galões de água por ano para uma secretaria que, segundo ela, possuía aproximadamente nove funcionários. Na avaliação apresentada por ela, a quantidade seria incompatível com a realidade do órgão.
A denunciante também mencionou materiais gráficos e serviços de serigrafia que, conforme afirmou, não correspondiam às necessidades da secretaria. Ela relatou que, durante seu período de trabalho, havia dificuldades até mesmo para conseguir materiais básicos, como resmas de papel.
Outro questionamento envolve o planejamento anual de contratações. Nayara afirmou que participou da elaboração de três planos de contratação anual e que as necessidades apresentadas por ela não teriam sido consideradas nas versões finais. Segundo seu relato, houve até treinamento de uma empresa para orientar os servidores sobre o planejamento das aquisições, mas as recomendações não teriam sido aplicadas como esperado.
A ex-funcionária também levantou questionamentos sobre a utilização dos recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente. Ela mencionou valores relacionados ao Índice Municipal de Qualidade do Meio Ambiente (IQM) e à parcela de ICMS vinculada às políticas ambientais, afirmando que esses recursos deveriam ser destinados exclusivamente a ações ambientais. Entretanto, alegou que não eram aplicados adequadamente nas atividades da área.
Nayara, que se identificou como engenheira ambiental e sanitarista, afirmou que dedicou seis anos à formação profissional e que considerava injusto ter de dividir parte de sua remuneração com outra pessoa. Ela também questionou as condições trabalhistas dos servidores comissionados, afirmando que não recebeu férias nem décimo terceiro salário durante o período em que trabalhou na prefeitura.
Em suas manifestações, a ex-funcionária disse que muitos servidores permaneceriam em silêncio por receio de perder seus empregos. Segundo ela, teria sofrido pressão e receio de questionar determinadas situações enquanto ainda ocupava o cargo. Também afirmou que não aceitou continuar participando dos repasses e que essa postura teria contribuído para sua saída da secretaria.
Denúncias encaminhadas à Procap
Além de Nayara, o ex-funcionário Wagner também é citado nos relatos. Os dois afirmam que procuraram a Promotoria de Justiça de Monsenhor Tabosa para comunicar as supostas irregularidades e prestar esclarecimentos sobre o caso.
Conforme as informações apresentadas, Wagner já foi ouvido pela Procap, órgão estadual de investigação de crimes contra a administração pública. Nayara, segundo o relato, ainda não havia sido convocada para prestar depoimento ao órgão naquele momento.
Os denunciantes afirmam que, após o encaminhamento do caso à Procap, foi constatado que a documentação enviada pela Promotoria local continha o depoimento de Wagner, mas não incluía todas as provas mencionadas pelos ex-funcionários.
Segundo a explicação apresentada, o promotor responsável pela apuração concedeu prazo de cinco dias para que o advogado dos denunciantes encaminhasse os documentos complementares, incluindo comprovantes de transferências via Pix e outros registros relacionados aos supostos repasses realizados durante os nove meses.
O advogado teria ficado responsável pelo envio desse material, e os ex-funcionários afirmam que agora aguardam o andamento das investigações pela Procap.
Os denunciantes também manifestaram insatisfação com a condução inicial do caso pela Promotoria local, questionando a ausência de encaminhamento de documentos que consideram importantes para a apuração.
As acusações envolvem possíveis irregularidades administrativas e financeiras na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, incluindo suposta rachadinha, compras públicas e destinação de recursos. Até o momento, os relatos apresentados constituem denúncias que dependem de investigação e comprovação pelos órgãos competentes.
A apuração deverá esclarecer se houve irregularidades nos pagamentos, nas contratações, na entrega dos materiais e na aplicação dos recursos públicos, bem como identificar eventuais responsabilidades.
O caso aguarda o prosseguimento das investigações pela Procap. As acusações contra agentes públicos e demais envolvidos devem ser apuradas, assegurando-se o direito de manifestação e de defesa dos citados.
Observação editorial: os relatos e documentos mencionados foram apresentados pelos denunciantes. As acusações não devem ser tratadas como fatos comprovados antes da conclusão das investigações.
📝 Redação
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