A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante ato de campanha em Belém (PA), voltou a provocar reação entre profissionais da área médica. Ao defender a realização de exames para prevenção do câncer de próstata, Lula afirmou que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”.
A afirmação foi contestada por um grupo identificado como Médicos pela Liberdade, que publicou uma manifestação nas redes sociais para questionar a ideia de que meninas sejam submetidas rotineiramente a exames ginecológicos internos durante a infância. O grupo afirmou: “Toque v4g1n4l em meninas (crianças) não é rotina e não é normal” e declarou que quem tenta normalizar esse tipo de prática estaria demonstrando “inclinação à p3d0f1l1a”.
A questão também encontra respaldo em orientações médicas oficiais. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) informa que, na primeira consulta ginecológica, geralmente no início da puberdade, o exame ginecológico é externo, sem uso de instrumentos. Para crianças, a entidade afirma que situações específicas, como suspeita de abuso, malformações ou traumatismos, podem justificar avaliação especializada.
A própria FEBRASGO reforça que o exame ginecológico de adolescentes deve ser explicado e não realizado sem consentimento. Em situações sem urgência, o procedimento pode inclusive ser adiado caso a paciente não esteja preparada.
Dessa forma, a frase de Lula, feita durante um discurso sobre prevenção do câncer de próstata, acabou abrindo uma discussão distinta da pretendida pelo presidente: a forma como exames ginecológicos em meninas são realizados e a necessidade de diferenciar procedimentos médicos indicados de situações que podem representar violência ou abuso.
🔗 Fontes: Terra / Estadão / Notícias do Centro / FEBRASGO / Sociedade Brasileira de Pediatria / Médicos pela Liberdade
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