Aos 70 anos, Iradene Almeida, costureira aposentada por invalidez provisória, enfrenta dores crônicas causadas por artrite reumatoide e hérnias de disco. Desde maio de 2025, aguarda a concessão definitiva da aposentadoria pelo INSS, enquanto complementa a renda com pequenos serviços domésticos, limitada pela condição física.
Seu caso reflete a realidade de milhares no Ceará, onde 217.975 pedidos de benefícios previdenciários e assistenciais aguardam análise, segundo dados de setembro do Portal da Transparência. O estado ocupa a terceira posição nacional em volume de pendências, atrás apenas de São Paulo (423.802) e Minas Gerais (245.551). A maior parte da fila é composta por solicitações do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que exigem análises mais complexas.
O cenário se agrava em meio à crise institucional do INSS, agravada pelo esquema “Farra do INSS”, que desviou R$ 6,3 bilhões de mais de 4 milhões de beneficiários. No Ceará, já foram ressarcidos R$ 181,17 milhões a 274.626 segurados afetados por descontos indevidos feitos por entidades associativas. Apesar disso, a lentidão persiste: o tempo médio de análise no estado supera os 54 dias, acima da média nacional de 48 dias.
Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, a fila nacional cresceu quase 50%, chegando a 2,8 milhões de pedidos. No Ceará, mais de 80 mil solicitações de BPC e cerca de 60 mil de benefícios por incapacidade estão paralisadas além do prazo adequado. Erondina Rodrigues, de Paraipaba, espera há anos pelo auxílio-doença, mesmo com laudos médicos. Já Océlio Silva, de Eusébio, teve seu pedido indeferido após perícia superficial, apesar de múltiplas lesões decorrentes do trabalho.
O advogado previdenciário Paulo Albuquerque afirma que o problema é estrutural: faltam servidores, peritos e concursos públicos, especialmente no Nordeste, onde a presença do INSS é frágil. Ele destaca que apenas 13% dos pedidos de BPC dependem diretamente do instituto; o restante fica retido em etapas burocráticas como recálculo de renda pela Dataprev. Muitos segurados recorrem à Justiça não para garantir o benefício, mas apenas para forçar a análise do pedido.
Enquanto isso, quem depende do INSS vive na incerteza. “Se eu não tomar remédio para dor, eu não ando. Mas tem remédio que eu simplesmente não posso comprar”, diz Iradene.
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🔗 Fonte: DN
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