O candidato a governador do Ceará, Ciro Gomes, participou nesta quinta-feira, 1º de outubro, de entrevista na Rádio Asa Branca FM 99,5, no programa Jornal Asa Branca, em Boa Viagem. Durante a conversa, ele foi questionado sobre a valorização dos profissionais da segurança pública, incluindo Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal.
Ciro afirmou que pretende rever a estrutura da Polícia Militar, principalmente os mecanismos de hierarquia e disciplina. Segundo ele, a organização militar precisa manter uma cadeia de comando definida, com soldados, cabos, sargentos, subtenentes e oficiais seguindo suas respectivas funções.
Sobre a remuneração, Ciro afirmou que um soldado ingressa na Polícia Militar recebendo cerca de R$ 6,1 mil a R$ 6,2 mil e que, após aproximadamente 22 anos de carreira, a diferença salarial para um subtenente seria de cerca de R$ 1,8 mil. Ele também mencionou uma diferença de aproximadamente R$ 100 entre soldado e cabo e afirmou que, dependendo das gratificações, um cabo pode receber mais que um tenente.
Na avaliação apresentada por Ciro, essa estrutura salarial teria provocado desmotivação entre os policiais. Ele também criticou a atuação da Controladoria Geral de Disciplina (CGD) e defendeu mudanças no modelo de corregedoria.
Ciro afirmou que o policial deve ser considerado inocente até que uma investigação demonstre eventual responsabilidade. Para explicar sua posição, citou uma situação hipotética envolvendo um policial que, durante uma ocorrência noturna em Boa Viagem, acreditasse estar sendo ameaçado e reagisse contra uma pessoa que não estivesse realmente armada. O candidato mencionou o conceito jurídico de legítima defesa putativa e defendeu que situações desse tipo sejam analisadas por meio de investigação e perícia.
Durante a entrevista, Ciro também citou uma operação realizada na região de Copiara, que, segundo ele, resultou na descoberta de uma grande plantação de maconha. Ele afirmou que a ação terminou sem prisões e questionou a condução do caso.
Ciro mencionou ainda informações divulgadas sobre dois delegados, um de Copiara e outro de Guatu. Segundo ele, inicialmente teria sido divulgado que os profissionais haviam sido demitidos, mas posteriormente ele teria apurado que os dois teriam sido pressionados a pedir demissão. A afirmação foi apresentada por Ciro como exemplo do que considera problemas na estrutura de corregedoria.
O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende modificar esse modelo e declarou que uma de suas prioridades será reorganizar o escalonamento vertical da Polícia Militar e a estrutura de corregedoria.
Sobre a Polícia Penal, Ciro afirmou que integrantes da categoria pedem a saída do atual secretário responsável pela área. Ele fez críticas ao gestor e afirmou que o governo teria determinado a compra de tornozeleiras eletrônicas sem licitação. Ciro disse que, se assumir o governo, pretende retirar o secretário do cargo no início da gestão e realizar uma auditoria sobre a questão.
Na Polícia Civil, Ciro afirmou que os profissionais reivindicam a criação de uma gratificação por risco de vida, considerando as condições enfrentadas pelos agentes. Ele disse que ainda precisa calcular os custos para definir como a medida poderá ser implantada.
Durante a entrevista, também foi lembrado o policial Almi Filho, natural de Boa Viagem, que morreu em serviço. Ciro mencionou as medidas adotadas posteriormente em relação às viaturas blindadas e citou a presença de Almi Mota, ex-vereador, na entrevista.
Ao falar sobre as condições de trabalho dos policiais, Ciro afirmou que muitos profissionais são trabalhadores que precisam morar em bairros mais simples devido à renda e acabam vivendo próximos a áreas onde também atuam facções criminosas. Segundo ele, essa situação pode representar riscos para os próprios policiais e seus familiares.
Como proposta, Ciro defendeu uma política habitacional específica para policiais que atuam na linha de frente da segurança pública. Ele afirmou que pretende criar conjuntos habitacionais destinados a esses profissionais e estabelecer mecanismos de cofinanciamento para facilitar o acesso à moradia.
Ciro declarou ainda que mantém conversas com representantes das categorias da segurança pública e que pretende analisar as demandas apresentadas pelos profissionais antes de definir as medidas que serão adotadas em um eventual governo.
🔗 Fonte: Jornal Asa Branca
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