Ciro Gomes detalhou proposta a poderes paralelos com foco na distribuição de drogas e lavagem de dinheiro


O candidato a governador do Ceará, Ciro Gomes, participou nesta quinta-feira, 1º de outubro, de entrevista na Rádio Asa Branca FM 99,5, no programa Jornal Asa Branca, em Boa Viagem. Durante a entrevista, ele explicou sua visão sobre o funcionamento dos poderes paralelos e defendeu uma estratégia baseada em inteligência para atingir as estruturas responsáveis pelo tráfico e pela lavagem de dinheiro.


Ciro afirmou que o principal negócio dos poderes paralelos não seria o assalto, mas a distribuição de drogas. Para explicar sua avaliação, comparou a organização criminosa a uma pirâmide, com diferentes níveis de atuação.


Segundo o candidato, na base estariam jovens que recebem pequenas quantidades de cocaína, maconha ou outras drogas para realizar a venda. Ele afirmou que muitos desses adolescentes não teriam cometido violência anteriormente e entrariam nessa atividade em busca de dinheiro para comprar itens como tênis, celulares e tablets.


Ciro defendeu que esses jovens ainda podem ser retirados desse caminho e destacou a necessidade de a escola manter adolescentes no ambiente educacional. Ele afirmou que, no Ceará, 30% dos jovens entre 18 e 24 anos não estudam nem trabalham e questionou quais alternativas são oferecidas a essa parcela da população diante da possibilidade de recrutamento pelos poderes paralelos.


Na parte superior dessa estrutura, Ciro afirmou existir um chefe da organização criminosa e disse acreditar que essas lideranças podem estar vivendo em áreas de maior poder econômico de Fortaleza, e não necessariamente nas periferias ou cidades pobres.

O candidato questionou a realização de operações policiais em condomínios de alto padrão e afirmou que o combate ao crime organizado precisa alcançar também os responsáveis pelo comando e financiamento das organizações, independentemente da classe social.

Ciro defendeu a integração entre inteligência comunitária e estrutura profissional de investigação. Segundo ele, uma das formas de chegar às lideranças seria acompanhar tecnologicamente a movimentação financeira gerada pelo tráfico de drogas.

Ele explicou que pequenas quantias obtidas na venda de drogas podem se transformar em valores muito maiores quando reunidas dentro da estrutura criminosa. Conforme sua argumentação, quando o dinheiro chega a valores elevados, passa a ser necessário utilizar o sistema financeiro e mecanismos de lavagem de dinheiro para ocultar sua origem.

Ciro citou como exemplo empresas de prestação de serviços, mencionando provedores de internet. Segundo ele, uma empresa poderia utilizar uma contabilidade fictícia para declarar receitas superiores às que realmente possui e, dessa forma, inserir dinheiro de origem criminosa no sistema formal.

Durante a entrevista, Ciro questionou ainda se as gestões de Elmano de Freitas e Camilo Santana teriam identificado e enfrentado esse tipo de estrutura financeira. Ele afirmou que sua proposta seria utilizar inteligência tecnológica para rastrear a lavagem de dinheiro e atingir o topo das organizações criminosas.

Ao abordar esse ponto, Ciro também mencionou um advogado chamado Alcimor e fez referência a acusações relacionadas a empresários da área de educação em São Paulo e a recebimento de dinheiro em Lisboa. As afirmações foram apresentadas por Ciro durante a entrevista.

Para o candidato, atingir a estrutura financeira e as lideranças das organizações poderia provocar o desmonte de toda a cadeia criminosa. Ciro encerrou afirmando que considera esse combate uma tarefa de vida e declarou que pretende atuar diretamente nessa área caso seja eleito governador do Ceará.

🔗 Fonte: Jornal Asa Branca

📝 Redação

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