“Tribunal da internet” absolve assassino e condena mãe enlutada


Sarah Tinoco Araújo foi alvo de um julgamento público implacável antes mesmo de qualquer investigação formal. Acusada injustamente por uma multidão — tanto nas redes sociais quanto no velório —, teve sua dor ignorada e foi transformada em réu por um “tribunal da internet” após o assassinato brutal de seus dois filhos, cometido pelo ex-marido, Thales Naves Alves Machado, secretário municipal de Governo em Itumbiara (GO). Ela não teve sequer a chance de se defender dessa condenação coletiva.

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Na noite de quarta-feira, 11/02, Thales, de 40 anos, matou os filhos Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8 anos, e em seguida cometeu suicídio. Deixou uma carta alegando suposta traição de Sarah como motivação. No entanto, informações posteriores revelaram que o casal vivia separado há meses, residia em casas distintas, exercia guarda compartilhada e Sarah havia iniciado um processo de divórcio litigioso. Thales, que não aceitava o fim do relacionamento, cometeu o que especialistas classificam como violência vicária extrema: punir a mulher eliminando os filhos.


Apesar disso, a reação pública foi imediata e cruel. Nas redes e nas ruas, Sarah foi acusada com frases como “ela traiu”, “provocou” e “mereceu”, como se alguma suposta infidelidade pudesse justificar o assassinato de duas crianças. Esse julgamento ignorou o histórico de traições dele, sua recusa doentia em aceitar a separação e o fato de que o relacionamento já estava rompido há tempo. O machismo estrutural operou de forma clássica: transferiu a culpa do verdadeiro agressor para a vítima, convertendo Sarah numa espécie de Medeia moderna — demonizada eternamente por ter “provocado” o monstro, enquanto o assassino escapou de qualquer responsabilização póstuma.


No velório, a perseguição se tornou física. Sarah conseguiu se despedir de Benício ainda na UTI do hospital, mas foi impedida de acompanhar plenamente os ritos fúnebres dos filhos. Durante o sepultamento de Miguel, em 12/02, e no velório conjunto realizado neste sábado, 14/02, enfrentou insultos, ameaças e hostilidade explícita. Por risco real de violência, precisou ser escoltada pela polícia e foi expulsa do cemitério por familiares de Thales, que a retiraram à força. Ser negada no próprio luto — escorraçada de um momento sagrado de despedida — foi a materialização mais cruel do veredito já proferido contra ela nas sombras do julgamento coletivo.


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🔗 Fonte: EM

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