Um dossiê divulgado nesta segunda-feira (26/01) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) aponta que ao menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025, o que representa uma redução de 34,4% em comparação com as 122 mortes registradas em 2024. Apesar da queda, o país permanece, pelo 17º ano consecutivo, como o mais perigoso do mundo para essa população. A vítima mais jovem tinha apenas 13 anos, e o perfil predominante é de jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e mortas em espaços públicos com requintes de crueldade.
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Ceará e Minas Gerais lideraram o número de casos, com oito mortes cada. Entre os nomes registrados estão Paula Nascimento Batista, Valkiria Ferreira da Silva, Rhianna Alves, Carmen de Oliveira Alves, Neuritânia Pacheco, Gabriella da Silva Borges, Raquelly Leticia e Alice Martins Alves. O levantamento se baseia em reportagens, redes sociais e fontes não governamentais, já que, segundo a presidente da Antra, Bruna Benevides, o Estado brasileiro ainda não produz dados oficiais com esse recorte. Isso gera um alto risco de subnotificação, especialmente em regiões com pouca cobertura da mídia ou onde há resistência institucional em reconhecer crimes transfóbicos.
A Antra alerta que estados com “zero casos” não indicam segurança, mas sim ausência de documentação e políticas efetivas. Muitas vítimas são registradas com nome civil e gênero incorretos, ou seus assassinatos não são classificados como crimes de ódio. Dos 80 casos de 2025, 77 foram contra travestis e mulheres trans, e três contra homens trans e pessoas transmasculinas. Entre os 57 casos com informação sobre raça/cor, 70% eram de pessoas trans negras. A maioria das vítimas tinha entre 13 e 29 anos, vivia em situação de vulnerabilidade social e dependia, total ou parcialmente, do trabalho sexual.
O dossiê destaca que 67,5% dos assassinatos ocorreram em cidades do interior, dificultando ainda mais o registro e o apoio às vítimas. A redução nos números de 2025 não significa melhora real, segundo a entidade, que lista fatores como retração da mídia tradicional, controle de conteúdos nas redes sociais, medo da população trans em circular publicamente e desconfiança nas instituições. Um exemplo citado é o de Alice Martins Alves, de 23 anos, espancada em Belo Horizonte após sair de um bar sem pagar a conta. Sua irmã, Gabrielle Martins, denunciou a negligência social e estatal diante da realidade LGBTQIA+.
Bruna Benevides reforça a urgência de políticas públicas integradas: produção de dados oficiais com recorte de gênero, formação das forças de segurança, investigação adequada dos crimes, responsabilização dos autores, inclusão social e acesso a trabalho, saúde e educação, além do combate à transfobia institucional. Para a Antra, enquanto o Estado não assumir a responsabilidade de registrar e proteger essas vidas, elas continuarão sendo tratadas como descartáveis.
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🔗 Fonte: G1
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