A prisão de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pelos Estados Unidos no sábado (03/01), foi interpretada pelo professor Oliver Stuenkel, da Fundação Getulio Vargas (FGV), como um movimento que beneficia tanto a Rússia quanto a China. Ele participou do podcast O Assunto, daquele domingo (04/01), para discutir as consequências desse ato.
Stuenkel, que também integra os quadros da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment, argumenta que a ação norte-americana viola princípios do direito internacional e reforça a ideia de que potências globais podem agir unilateralmente em regiões consideradas de sua influência — uma lógica historicamente contestada, mas agora revigorada.
Esse tipo de justificativa, segundo ele, é semelhante à utilizada por Vladimir Putin para desconsiderar a soberania da Ucrânia, e pode servir como precedente para a China, caso decida avançar sobre Taiwan. O pesquisador destaca que, ao concentrar esforços na Venezuela, os EUA acabam desviando atenção e recursos de outros focos estratégicos, como a Europa Oriental e o Estreito de Taiwan — cenários de interesse direto de Moscou e Pequim.
Na visão de Stuenkel, a postura adotada por Donald Trump sinaliza um retorno a um modelo de relações internacionais típico do século 19, em que o conceito de “esferas de influência” prevalecia sobre a igualdade soberana entre Estados. Ele ressalta que declarações de Trump sobre a Ucrânia parecem reconhecer como legítimos os interesses russos no Leste Europeu, ignorando a autonomia do país vizinho.
De forma análoga, a Venezuela passa a ser tratada, nessa lógica, como um território sob jurisdição natural dos EUA — quase como um “quintal” — legitimando, na narrativa hegemônica, intervenções unilaterais sem respaldo multilateral ou jurídico adequado.
Fonte: G1
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