Uma operação conjunta do Ministério Público do Maranhão, do Grupo de Ação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e da Polícia Militar prendeu 14 pessoas desde segunda-feira em Turilândia, no interior do estado, e em São Luís, no âmbito de uma investigação por corrupção e desvio de recursos públicos. Entre os detidos estão seis vereadores do município, a atual vice-prefeita Tânia Mendes e um neurocirurgião acusado de atuar como agiota e emprestar dinheiro ao prefeito.
Nesta quarta-feira (24/12), cinco investigados que ainda estavam foragidos se apresentaram à polícia. São eles: o prefeito Paulo Curió, filiado ao União Brasil; a primeira-dama Eva Curió; a ex-vice-prefeita Janaína Lima, do PRD; o marido dela, Marlon Serrão; e o contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros. Todos passam a integrar formalmente as investigações por organização criminosa e corrupção.
Segundo o Ministério Público, o esquema teria desviado mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos em menos de quatro anos. As investigações apontam que, desde 2021, um posto de combustível pertencente à ex-vice-prefeita Janaína Lima e ao marido dela era usado para lavagem de dinheiro. A prefeitura teria efetuado pagamentos por abastecimentos que nunca ocorreram, e os valores retornaram diretamente ao prefeito Paulo Curió, segundo a promotoria.
A responsável pelos pregões eletrônicos no município, Clementina de Jesus Pinho — que também foi presa — admitiu em depoimento que quase todas as licitações da prefeitura eram fraudadas sob determinação do prefeito. O promotor de Justiça Fernando Berniz afirmou que, conforme a própria Clementina, “95% das licitações foram fraudadas de acordo com a determinação do Paulo Curió”, e que essas fraudes eram realizadas para obter vantagens indevidas.
Cinco dos vereadores ainda permanecem foragidos. A Justiça converteu a prisão preventiva dos outros seis parlamentares em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Eles estão proibidos de ter contato com outros investigados e testemunhas, podendo comparecer à Câmara apenas em horário comercial e para atividades legislativas.
Apesar de estar sob investigação, o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo, também filiado ao União Brasil, não foi afastado do cargo e deverá assumir o comando da administração municipal de Turilândia. O promotor Fernando Berniz explicou que essa medida foi adotada para “não inviabilizar a administração pública”, e que a decisão judicial será encaminhada ao procurador-geral de Justiça do Maranhão para análise de uma possível intervenção no município.
A defesa de Eva Dantas e de Paulo Curió informou que ambos estão à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. A defesa da vice-prefeita Tânia Mendes optou por não se manifestar sobre o caso até o momento.
Fonte: g1
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